1ª leitura - Gen 3, 9-15.20
2ª leitura - Ef 1, 3-6.11-12
Evangelho - Lc 1, 26-38
O Tempo de Advento, mais voltado para a conversão e a esperança, é de certo modo interrompido, para dar lugar a esta solenidade que ilumina o sentido da nossa esperança. O Dogma da Imaculada Conceição, definido em 1854 pelo Papa Pio IX, afirma que, desde a sua concepção, Maria foi preservada do pecado original. Os dogmas acerca de Maria expressam a esperança cristã de que Deus realizará na pessoa humana a sua vontade de salvação. Maria, ao ser preservada do pecado original quer dizer que a sua natureza humana não põe qualquer obstáculo à realização da vontade de Deus na sua Vida. O que acontece com Maria, também acontecerá connosco, quando deixaremos o nosso egoísmo e poderemos viver a liberdade de dizer continuamente sim a acções amorosas e gratuitas, em que Deus seja transparente na nossa Vida. Nisto, Maria é, para nós, exemplo já conseguido da acção de Deus. Não quer dizer que Deus tenha tirado a liberdade a Maria, mas dispô-la, pela sua graça, a acolher Jesus.
O Dogma da Imaculada Conceição significa a possibilidade concreta de que a nossa humanidade pode dizer Sim à Encarnação de Jesus na nossa história. Na história da humanidade, Maria é o caso supremo e mais radical da realização da salvação, do seu fruto e da recepção da salvação (Karl Rahner). Em tempo de Advento, esta celebração enche-nos de alegria e esperança, porque acreditamos ser possível que em nós se realize completamente a presença de Deus.
As leituras expressam esta realidade. A desobediência de Adão e Eva põe-nos diante da nossa realidade de querer conhecer o bem e o mal, de querermos dominar tudo. Eles reconhecem a sua nudez, ou seja, verificam a própria fragilidade e incapacidade de conseguir, por si mesmos, a realização plena das suas vidas. Quando são confrontados com a pergunta "Que fizeste?", recusam-se a assumir a própria acção e enviam a culpa uns para os outros. Muitas vezes, assumir os nossos erros, é entrar no mistério da nossa incoerência e necessidade de uma palavra que nos devolva à nossa verdade, de precisarmos de Deus como motor do nosso Bem e da nossa realização. Mas este episódio termina com um sinal de esperança. A mulher, e com ela toda a humanidade, vencerá o mal, quando souber, na sua liberdade, dizer não ao egoísmo e sim à vontade de Deus.
Deste modo, Maria é a figura ao mesmo tempo real e simbólica desta verdade. No meio de tantas dúvidas e medos, diz um Sim radical à possibilidade de Deus entrar na nossa história. Em Maria, a humanidade mostra-se disponível a acolher a promessa que Deus anseia realizar. Faz as perguntas que tem de fazer mas, no fim, rende-se e diz: faça-se...
Quantas vezes, na nossa Vida, teremos de deixar para trás as nossas desculpas, os nossos medos e raciocínios complicados, para dizer Sim, no mais completo abandono? Esta entrega é o sinal maior da nossa capacidade de santificação. Assumir que a nossa fragilidade é o lugar escolhido por Deus para manifestar toda a sua força. Não é, assim, por acaso, que esta festa apareça a meio do Advento. É um desafio muito concreto à nossa liberdade. Tens medo? Então confia, Deus sabe o que faz e acredita em ti, preferiu-te desde sempre como caminho de realização da sua presença no mundo. Queremos ser esta Presença?
3 comentários:
Obrigada pela sua disponibilidade.
Obrigada mais uma vez por este espaço. Venho beber aqui...
Abraço do Porto
Obrigado! Assim vive-se o Domingo com outra profundidade, espero =) Tb é um bom exercicio para mim. beijinhos
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