2ª leitura - Actos 10, 34-38
Evangelho - Lc 3, 15-16. 21-22
Com esta festa, termina o tempo do Natal. De facto, após o baptismo, Jesus começa a sua vida pública. A questão do baptismo de Jesus é muito discutida entre os estudiosos, sobre a necessidade que Jesus teria de receber um baptismo de penitência, que era administrado por João Baptista. Alguns falam da possibilidade que Jesus teria tido algum contacto com o movimento de João e que, por isso, este baptismo teria um fundamento histórico. Porém, os evangelhos não estão propriamente interessados em contar a história de Jesus e a sua relação com João Baptista, mas pretendem apresentar quem é Jesus.
Nesta descoberta de quem é Jesus, este episódio do baptismo tem uma enorme importância. Aqui se realiza o que é anunciado pelo profeta Isaías, em que Deus apresenta o seu filho como aquele a quem ama, e lhe confia uma missão: ser aliança do povo e a luz das nações, para abrir os olhos aos cegos, tirar do cárcere os prisioneiros e da prisão os que habitam nas trevas. Este episódio sintetiza todo o percurso espiritual de Jesus, durante a sua vida oculta, em que, na relação com Deus Pai, vai percebendo que é o Filho enviado e amado.
Continuamos ainda na meditação dos mistérios do Natal, que são centrados na Encarnação. Deus que se faz um de nós e que, por isso, entra na fila dos que pretendem o baptismo de conversão pregado por João. Jesus, segundo a sua liberdade e a graça do Espírito Santo, também entra nesta dinâmica de orientar toda a sua vida segundo a vontade do Pai. Esta conversão não significa apenas o deixar o mal, mas sobretudo escolher o caminho que Deus tem preparado. Este é o grande desafio e motivação da conversão do nosso coração e da nossa Vida.
No discurso de Pedro nos Actos dos Apóstolos, vemos como a primeira comunidade cristã atribui ao momento do baptismo de Jesus a unção com a força do Espírito Santo. Nesta experiência, Jesus toma consciência da sua Vida e da sua missão, não por uma espécie de iluminação mágica, mas por uma certeza interior que nasce da intimidade vivida com o Pai. É, assim, apresentado ao povo de Israel, e a cada um de nós como "aquele que passou fazendo o bem e curando os que eram oprimidos". Como seria desejável que assim falassem de nós!
O Baptismo de Jesus, por isso, põe diante de nós quem Ele é e quem somos nós. Pelo baptismo que recebemos, participamos da mesma missão de Jesus, que é passar fazendo o bem, ser livre e libertar, entregar a própria vida a Deus e viver na alegria da ressurreição.
As palavras que Deus Pai pronuncia no Evangelho mostram Jesus como Aquele a quem devemos adorar e amar, pois todo o Amor de Deus existe em Jesus. E, do mesmo modo, somos também nós filhos muito amados de Deus.
A festa do Baptismo de Jesus, ao introduzir o Tempo Comum, que é o nosso quotidiano, propõe-nos o nosso fundamento de vida: somos filhos amados de Deus e chamados a fazer o bem. Nada melhor que um bom estabelecimento de princípios, para orientar a nossa acção ao longo deste ano. Vivamos sempre neste dinamismo, passando os dias em graça e bondade.
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