1ª leitura - Is 62, 1-5
2ª leitura - 1 Cor 12, 4-11
Evangelho - Jo 2, 1-11
O tempo comum começa com uma mensagem de esperança e transformação. Os "tempos fortes" da liturgia têm como grande objectivo fazer viver e recordar os grandes mistérios da fé cristã, como o nascimento de Jesus, ou a sua Morte e Ressurreição. O Tempo comum, pelo contrário, ocupa-se das disposições que devemos ter na nossa vida de todos os dias, quais são as atitudes de fundo que movem os nossos sentimentos e as nossas acções. Depois da festa do Baptismo de Jesus, em que nos é apresentada a nossa imagem de sermos amados e predilectos por Deus, hoje temos diante de nós três motivações que podem orientar a nossa vida ao longo desta semana:
Esperança: a primeira leitura fala-nos de uma promessa de união com Deus. A cidade de Jerusalém é a nossa vida e o nosso coração. Aqui vemos como Deus promete a sua Presença. Não seremos mais uma cidade deserta ou abandonada, mas sim, cidade predilecta e desposada. Na tradição cristã, desde o início, fala-se da pessoa humana, ou da sua alma, como esposa, numa linguagem tirada do matrimónio, mas que significa a união com Deus. O grande mistério do matrimónio é a entrega de uma vida a outra. Esta predilecção de Deus, de sua iniciativa, faz de nós luz, coroa, facho ardente, justiça e salvação. Desejamos que a nossa vida seja assim brilhante, completa. Apenas os que vivem na união com Deus poderão construir a própria existência a partir do amor e do ter sido escolhidos. O grande factor de desânimo na nossa vida é o vermo-nos como alguém que não é original, que realiza um quotidiano de cumprir o que é suposto sem agarrar o fundo daquilo que acontece. Termos consciência desta predilecção de Deus por cada um, faz-nos cair na conta do nosso próprio nome e daquilo que somos chamados a ser. O mundo das nossas relações tem necessidade do nosso brilho, e a nossa alegria e verdade pode fazer toda a diferença.
Unidade: Outro grande drama dos nossos dias é vivermos divididos, com pouca confiança no que somos. E daí, vivemos em comparações e cálculos. Fazemos tanto esforço em ser o que não somos e não conseguimos concretizar o bem que temos para dar. São Paulo fala do dom de cada um como estando unido a uma mesma fonte. Não interessa tanto o que cada um é capaz de fazer, mas sim que cada um esteja unido à fonte de todo o bem. Uma óptima atitude para a nossa vida quotidiana é sermos capazes de dar aquilo que temos e não viver no desânimo de não termos aquilo que desejaríamos. O que é que ganhamos em dar coisas diferentes de nós mesmos? Cada um de nós tem um dom e um tesouro que lhe é próprio, e é pena que os outros não possam ganhar com a nossa riqueza.
Transformação: No Evangelho, Jesus dá um passo em frente. Nas bodas de Caná, a determinada altura falta o vinho e começa a desolação. E Jesus, no segredo, transforma aquilo que aparentemente não tem valor, que é comum, a água, em vinho, que dá alegria e surpresa. Podemos não dar valor ao que temos, mas é exactamente isso, que nas mãos de Deus se torna motivo de festa. O grande critério da nossa transformação é-nos indicado por Maria: "Fazei o que Ele vos disser". A vontade de Deus é que transformemos o que aos nossos olhos parece triste e insignificante em algo que faça festa, junte a comunidade.
De novo, está presente ao início e ao fim das leituras a ideia do matrimónio. A nossa união com Deus, vivida no segredo da oração e no desejo de cumprir a sua vontade, junta a comunidade. A predilecção de Deus por cada um ajuda-nos a cair na conta da riqueza enorme que somos e da nossa missão de transformar, a partir do quotidiano, a vida dos outros numa enorme festa.
1 comentários:
Que bom ler estas palavras. :)!
Obrigado por as partilhar connosco.
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