07 maio, 2010

Domingo VI da Páscoa (Ano C)

1ª leitura - Actos 15, 1-2.22-29
2ª leitura - Ap 21, 10-14. 22-23
Evangelho - Jo 14, 23-29

O final do tempo da Páscoa começa já a fazer algumas referências às festas importantes que se vão seguir nos próximos domingos, sobretudo a festa do Pentecostes, isto é, a descida do Espírito Santo sobre os Apóstolos, que marca o fim do tempo Pascal.

A primeira leitura conta-nos o resultado daquela que se chama a primeira assembleia dos Apóstolos, em Jerusalém. Esta assembleia marca uma etapa muito importante na história da Igreja primitiva, na medida em que o cristianismo assume a sua dimensão universal, deixando o contexto judaico para se abrir ao anúncio do Evangelho aos pagãos. Os primeiros cristãos eram judeus e sempre se perceberam como fazendo parte do povo eleito, e que os seguidores de Jesus eram aqueles que viviam a plenitude do judaísmo. Alguns defendiam que aqueles que pretendessem abraçar a fé cristã teriam primeiro que entrar na religião judaica, da qual a circuncisão era um ritual indispensável. Porém, aquilo que Paulo e os seus companheiros foram fazendo na missão entre os pagãos, fizeram cair na conta de que, para ser cristão, o mais importante era a "circuncisão do coração" ou o Baptismo, isto é, entrar na vida da Igreja através da conversão pessoal e aderindo ao modelo de Jesus. A decisão a que chega esta assembleia reflecte a consciência da primeira comunidade cristã da importância de uma adesão à fé através de uma união de coração e da vida à pessoa de Jesus, independentemente do estado anterior da pessoa. Para nós, esta atitude pode fazer-nos reflectir sobre a qualidade da nossa consciência de baptizados, e como vivemos esta circuncisão do coração, se somos autênticos e abertos à vida que Jesus nos dá cada dia. É um dom muito importante e que devemos cuidar, abrindo a nossa vida à universalidade da fé, que toca todos os campos da nossa vida.

A segunda leitura e o evangelho têm em comum a ideia da morada. No livro do Apocalipse, com todos os seus símbolos, vemos a cidade que desce do céu. Uma professora minha dizia um dia que a Bíblia começa com um jardim e termina com uma cidade. Ora, a cidade é feita para os homens, para sua morada. Estamos implicados na construção desta cidade, onde vive a luz de Deus, o seu Amor. Na nossa vida concreta, somos chamados a viver nesta luz, construir o mundo definitivo do amor. A transformação do mundo não é um milagre de Deus, é na nossa liberdade que Deus acontece em todas as coisas.

A nossa liberdade é tocada e transformada pelo amor de Deus que nos é dado, o seu Espírito Santo. No Evangelho Jesus promete-nos aquilo que celebraremos dentro de algumas semanas, a vinda do Espírito Santo. A leitura do Evangelho pode hoje prepara-nos a acolher este dom imenso que nos é dado continuamente, que nos ensina todas as coisas, que nos faz viver com maior qualidade, que nos torna mais luminosos. É o Espírito Santo que nos dá a força e a coragem de amar sem limites. Amar é exigente, porque nos faz lutar contra o nosso egoísmo, mas é aquilo que mais nos realiza em plenitude.

1 comentários:

Anónimo disse...

Valério! :) Obrigada por esta tua homilia! Tens, de facto, o Dom da palavra! :) Beijinho, Xana :)

 

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